Onde e quando Cristo nasceu

Pedro de Camargo, que escreveu vários livros de interpretação do Evangelho com o pseudônimo de Vinícius, no livro Em Torno do Mestre, faz uma divagação sobre onde e quando Cristo teria nascido e a finalidade de sua encarnação no Planeta.

A época é mais do que propícia a essa reflexão e podemos ir além e fazer a mesma pergunta a nós mesmos. Reproduzimos abaixo o texto de Pedro de Camargo.

Boa leitura!

Cristo nasceu? Onde? Quando?

A salvação não está numa finalidade a que se convencionou denominar céu  ou  paraíso:  está,  sim,  na  perpétua  renovação  da  vida  para  a  frente  e para o alto. Avançar, como disse São Paulo, de glória em glória, tal é, em síntese,  o  trabalho  e  o  plano  da  redenção.  Jesus  é  a  força  viva  que,  uma vez encarnada no homem, determina a sua constante transformação.

“O Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e verdade, e vimos  a  sua  glória  como  de  unigênito  do  Pai.  Mas  a  todos  os  que  o receberam, aos que creem em seu nome, deu ele o direito de se tornarem filhos  de  Deus;  os  quais  não  nasceram  do  sangue,  nem  da  vontade  da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.” (João, 1:4.)

A  prerrogativa  de  unigênito  do  Pai, Jesus  a  torna  extensiva  a  todos  os que  de  boa  vontade  o  receberem.  E  assim  se  opera  o  seu  natalício  no coração do pecador.

O   menino   que   Maria   enfaixou,  deitando-o,   em   seguida,   numa manjedoura, é a figura desse Jesus que é força, que é poder, que é vida e verdade, atuando no interior do homem.

Invoquemos,  em  abono  de  nossa  asserção,  o  testemunho  de  algumas personagens   que   figuram   na   esfera   cristã   como   astros   de   primeira grandeza.

Perguntemos a Paulo — onde e quando Jesus nasceu? Ele nos dirá: Foi na estrada de Damasco, quando eu, então intolerante e fanatizado por uma causa  inglória,  me  vi  envolvido  na  sua  divina  luz.  Dali  por  diante —  “já não sou eu mais quem vive, mas o Cristo é que vive em mim”.

Indaguemos   de   Madalena,   onde   e   quando   nasceu   Jesus.   Ela   nos informará: Jesus nasceu em Betânia, certa vez em que sua voz, ungida de pureza e santidade, despertou em mim a sensação de uma vida nova, com a qual, até então, jamais sonhara.

Ouçamos  o  depoimento  de  Pedro,  sobre  a  natividade  do  Senhor,  e  ele assim  se  pronunciará:  Jesus  nasceu  no  átrio  do  paço  de  Pilatos,  no momento  em  que  o  galo,  cantando  pela  terceira  vez,  acordou  minha consciência  para  a  verdadeira  vida.  Daí  por  diante,  nunca  mais  vacilei diante dos potentados do século, quando me era dado defender a Justiça e proclamar  a  verdade,  pois  a  força  e  o  poder  do  Cristo  constituíram elementos integrantes de meu próprio ser.

Chamemos  à  baila  João  Evangelista  e  peçamos  nos  diga  o  que  sabe acerca  do  natal  do  Messias,  e  ele  nos  dirá:  Jesus  nasceu  no  dia  em  que meu  entendimento,  iluminado  pela  sua  divina  graça,  me  fez  saber  que Deus é amor.

Dirijamo-nos  a  Zaqueu,  o  publicano,  e  eis  o  seu  testemunho:  Jesus nasceu em Jericó, numa esplêndida manhã de sol, quando eu, ansioso por conhecê-lo,  subi  numa  árvore,  à  beira  do  caminho  por  onde  ele  passava, contentando-me com o ver de longe. Eis que ele, amorável e bom, acena-me,  dizendo:  Zaqueu,  desce,  importa  que  me  hospede  contigo.  Naquele dia entrou a salvação no meu lar.

Interpelemos Tomé, o incrédulo: Quando e onde nasceu o Mestre? Ele, por certo, retrucará: Jesus nasceu em Jerusalém, naquele dia memorável e inesquecível  em  que  me  foi  dado  testificar  que  a  morte  não  tinha  poder sobre  o  Filho  de  Deus.  Só  então  compreendi  o  sentido  de  suas  palavras: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.”

Apelemos, finalmente, para Dimas, o bom ladrão: Onde e quando Jesus nasceu?   Ele   nos   informará:   Jesus   nasceu   no   topo   do   Calvário, precisamente quando a cegueira e a maldade humana supunham aniquilá-lo  para  sempre;  dali  ele  me  dirigiu  um  olhar  repassado  de  piedade  e  de ternura, que me fez esquecer todas as misérias deste mundo e antegozar as delícias do Paraíso. Desde logo, senti-o em mim e eu nele.

Tal  foi  o  testemunho  do  passado —  tal  é  o  testemunho  do  presente, dado  por  todos  os  corações  que,  deixando  de  ser  quais  hospedarias  de Belém,   onde   não   havia   lugar   para   o   nascimento   de   Jesus,   se transformaram,   pela   humildade,   naquela   manjedoura,   que   o   amor engenhoso  da  mais  pura  e  santa de  todas  as  mães  converteu  no  berço  do Redentor do mundo.

Imagem: A Adoração dos Magos, de Pieter Paul Rubens (1577-1640) in https://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=12919

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *