Artigos

Voltar para artigos
03/09/2020 CCDPE (Conteúdo)

Quem de fato comanda o dia a dia do ser humano?

0 curtidas 0 comentários
Deus, via Leis Naturais, impulsiona-nos ao progresso, sempre, pelo livre-arbítrio.

Deus quer. Jesus está no comando. Tudo dará certo se Deus quiser. Essas e outras tantas expressões são comuns no dia a dia e, em épocas como a atual, ganham força, como uma nota de esperança em um futuro melhor. Mas será que é tão simples assim? Será que acreditar nisso nos torna melhores e nos mostra caminhos?

Naturalmente os cristãos – e eu me incluo nesse grupo – têm Cristo como modelo. Para os espíritas – e eu também estou inserida nesse conjunto –, o modelo crístico está claramente definido nas obras básicas e na Revista Espírita.  Apenas para citar dois exemplos, na Introdução de O Livro dos Espíritos, no item VIII, Kardec afirma que “o Espiritismo não encerra uma moral diferente daquela de Jesus”; e, na questão 625, recebe “Vede Jesus” como resposta à interrogação: “Qual o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem, para lhe servir de guia e modelo?”

E como em nossos exemplos, Jesus, de verdade, está no leme. Mas essas frases-feitas (clichês) merecem mais atenção do que usualmente lhes damos ao repeti-las automaticamente. Afirmar “alguém está no comando” é transferir responsabilidade e nos eximir do uso de nosso livre-arbítrio, e é possível que o receptor da mensagem tenha a impressão daquele “alguém” poder resolver tudo, ser “o salvador”.

Deus está no comando por ser a “causa primária, inteligência suprema”, como bem explicitado na questão 1 de O Livro dos Espíritos. Esse “comando” é expresso na Lei Natural (ou Divina) que age igualmente sobre todos os seres encarnados e desencarnados em âmbito universal. Jesus está no comando porque nos mostra o caminho para nossa evolução. Ele mesmo teria assumido essa posição, segundo João, ao dizer, em 14,6: “Sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim”.

Nessa declaração, Jesus colocou outra informação fundamental: a de “ninguém vem ao Pai senão por mim”, confirmando sua superioridade moral e comprovando sua condição espiritual elevada, pois já estar próximo a Deus, como Espírito puro, atendendo as características expressas também em O Livro dos Espíritos, na pergunta 112.

Como espírito da primeira ordem, Jesus estimula-nos a liderarmos nossas vidas. Orientações como “Vá e não erres mais”, conclamam-nos à ação efetiva e permanente. No Sermão do Monte, a recomendação explícita é para buscarmos primeiramente o Reino de Deus, que tudo mais nos será acrescentado (Mt 6,24), ou seja, que ajamos em benefício de nossa evolução para também nos tornarmos lemes para outras pessoas, mostrando o caminho, exemplificando, contribuindo para se aperfeiçoarem.

Deus, via suas próprias leis, impulsiona-nos ao progresso, sempre, e pelo livre-arbítrio nos permite tornar o caminho mais ou menos longo. Jesus está no comando, como modelo a ser seguido, mas cada um de nós tem as rédeas da própria evolução. Temos ainda uma série de benfeitores, amigos e membros de uma família espiritual que nos amparam espiritualmente. Mas nada disso será percebido por nós se não fizermos a nossa parte: investir efetivamente em nosso desenvolvimento moral, contribuindo para a construção de um mundo que pode ser melhor desde já.

Uma das possibilidades é mudarmos nossa disposição moral, lembrando que tudo é atitude e ação no Universo e que mesmo na Terra os bons são maioria, como nos garante a equipe do Espírito Verdade em O Livro dos Espíritos, na questão 932: Por que, neste mundo, os maus exercem geralmente maior influência sobre os bons?, perguntou Kardec. E a resposta é instigante: – Pela fraqueza dos bons. Os maus são intrigantes e audaciosos; os bons são tímidos. Estes, quando quiserem, assumirão a preponderância.

Frente a essa provocação, o controle está nas mãos dos que se expõem e se envolvem, mesmo ainda não sendo Espíritos totalmente focados no bem. Para que os que buscam o bem e a evolução assumirem o controle, precisarão reconhecer que ser humilde, fraterno e caridoso exige postura e comprometimento frente ao que envolve preconceito, desigualdade, estimula privilégios e torna uns diferentes dos outros, como é visto na sociedade atual.

O bem, a moral, a caridade, o amor, a fraternidade, a tolerância, assim como todas as virtudes, dependem de atitudes, de ações efetivas, de atividades e movimentos. O bem é ativo, porque como está ressaltado em vários livros da Codificação, não fazer o bem já é fazer o mal. Apenas em O Livro dos Espíritos, sem grande esforço, encontram-se várias referências. Aqui vão duas, apenas como lembrete: Aquele que não pratica o mal, mas que se aproveita do mal praticado por outrem, “torna-se participante dele’ [...] e se  serve-se da ação praticada “é porque a aprova e a teria praticado se pudesse ou se tivesse ousado (LE, 640); e  Não basta que o homem não pratique o mal; “é preciso fazer o bem no limite de suas forças, pois cada um responderá por todo mal que tiver ocorrido por causa do bem que deixou de fazer” (LE, 642).

O convite é claro e o momento é agora! Confiemos e avancemos juntos, buscando o bem no outro e na sociedade onde estamos inseridos!

Katia Penteado

Jornalista, diretora de Cultura e Estudos Espíritas do CCDPE-ECM

Interagir com o artigo

Curtidas e comentários ficam disponíveis para leitores autenticados.

0 curtidas 0 comentários

Outros artigos

Continue acompanhando o que acontece no CCDPE.

07/04/2026 CCDPE (Conteúdo)

Lançamento do Livro

Além da Fé Raciocinada, Uma análise crítica da obra de Kardec, de Carlos Seth Bastos. Adquira o seu exemplar na promoção de abril Clique aqui https://www.youtu…

Ler artigo