Verdade ou verdades?

O que é verdade? A resposta a essa questão não é simples e vem merecendo atenção ao longo de toda a história da humanidade. Tema de tratados filosóficos e não tão filosóficos assim, ocupa espaços os mais diversos, gerando disputas virulentas e até violentas.

Até aquela popular biblioteca virtual trata do assunto e nos apresenta um resumo bastante interessante, que vale uma olhada (http://pt.wikipedia.org/wiki/Verdade). Nesse verbete, entre várias definições e considerações, está escrito o seguinte: “a verdade” pode significar o que é real ou possivelmente real dentro de um sistema de valores. E na expressão “sistema de valores” temos uma chave interessante, que nos mostra porque A verdade pode ser percebida e interpretada segundo a posição de cada observador, ou seja, segundo o sistema de valores cada um.

Nesse contexto, alguns perguntarão: há, então, várias verdades? E a resposta é praticamente unânime: Não! A verdade é uma só, o que muda é a “parte” da verdade apreendida por cada um, segundo o “sistema de valores”.  Assim sendo, há “verdades” individuais, coletivas e universais.

Em um mundo ideal, a verdade universal é o bem, o amor, o respeito, a ética, a moral. Mas como o mundo ideal é ainda uma utopia, temos de trabalhar com o mundo real, que de acordo com os valores de cada um, é mais ou menos próximo ao mundo ideal ou verdadeiro.

Como a verdade que nós conhecemos está ligada ao sistema de valores, por que temos tanta dificuldade em aceitar a verdade, já que ela é a meta e a esperança de todos?

Talvez a resposta esteja nesse mesmo sistema de valores, pois quando o outro nos coloca a verdade dele sobre nós, ele usa o sistema de valores dele, que é diferente do nosso. Ou seja, não aceitamos porque nossa visão da verdade sobre nós é baseada em nosso sistema de valores miscigenado à nossa visão bondosa sobre nós mesmos, afinal, é mais fácil ver o defeito do outro do que o nosso e se concordamos que temos o mesmo defeito que o outro possui, conseguimos uma desculpa para o nosso defeito, minimizando sua importância e seu efeito.

Desse modo, cumprimos mesmo que de maneira pouco racional, uma outra frase constante no verbete: A verdade é um fato que só é real depois de confirmado ou refutado pelo uso da razão.

Frente a isso, fica fácil entender o que é mentira: é todo fato que não é confirmado ou refutado pelo uso da razão e que é irreal ou possivelmente irreal dentro de um sistema de valores. E aí, uma pergunta: será a mentira também relativa, subjetiva e mutável?

Como parte deste grupo de Espíritos que habitam a Terra, ainda integramos a era “das verdades’, mas dia chegará – e o tempo para isso é diretamente proporcional ao esforço individual – em que a Verdade, que é única e calma, será absorvida e vivenciada: a Lei Divina.

Fundamental, hoje, é a certeza de que tudo está em movimento e em mudança, não há nada absoluto, a não ser o progresso intelectual e moral. Ou seja, todos estamos “certos” e todos estamos “errados”, dependendo do entendimento de cada um.

Katia Penteado, SP-SP

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